pra você guardei o amor que sempre quis mostrar
Um desejo de coletar e proteger, separando do mundo, algo precioso que a ele também pertence. Criar um recipiente que acomode a joia, e imprimir nele a imagem daquilo que se deseja cuidar: o amor. O amor, tal como bicho instruído, como nomeou Drummond, isto é, a sua forma mais pura, instintiva e sensível.
A Caixinha Grasse foi pensada para ser “uma coisa que contém outra coisa”, como talvez tenha sido o primeiro objeto cultural criado pelos seres humanos que coletavam seu alimento e precisavam de um recipiente, pois sem ter onde guardá-lo e protegê-lo, o alimento de pouco nos serviria.
Como uma casa, espaço de repouso e proteção, nosso estojo revela uma necessidade antiga de criar algo para guardar o que nos é valioso.
Então decidimos guardar nossas joias, ou nossos amores, com uma superfície (ou pele) em que são desenhadas linhas e traços orgânicos, de curvaturas e ondulações, que são próprios do fazer artístico da designer argentina Lucrecia Rey Caro.
O coração, símbolo primário quando se fala em amor, passa a ganhar contornos menos rígidos e mais abertos. O rosto desenhado que aparece mais como um semblante, sem definições, cria esse espaço aberto e contínuo do sentimento amoroso. O amor nutrindo-se de um não acabar, de um infinito que é convite para a aproximação, ainda que ali esteja protegido.